Várias pessoas passam o dia nas calçadas consumindo pinga.

A ESQUINA DOMINADA PELA CACHAÇA

A cena já se tornou comum para quem passa com freqüência pela região do Asilo, no Bairro Aparecida. Desde cedo até o anoitecer, várias pessoas se esparramam pelas calçadas fazendo uso de pinga. A maioria dos usuários está constantemente alcoolizada, alguns até com delírios por conta dos efeitos do álcool. Para manter o vício e conseguir dinheiro, abordam pedestres, param veículos, e perturbam os moradores das casas nas proximidades. Mas nas últimas semanas a situação se agravou ainda mais; nas redes sociais relatos de pessoas indignadas, denunciando uma total falta de respeito. Alguns bêbados estão urinando no muro do asilo, e andando pela esquina com as partes íntimas à mostra, constrangendo várias pessoas que passam, moram ou trabalham no local. As denúncias foram tantas, que na tarde dessa terça-feira a Polícia Militar realizou uma operação na esquina, abordando os freqüentadores. No dia seguinte apenas alguns deles estavam na calçada, mas aos poucos foram voltando, e nessa sexta-feira a situação continuava da mesma forma. Um problema que já se arrasta por décadas, e que deu à esquina o famoso nome de “Pé de Manga”. Era ali, debaixo de uma grande mangueira, que aconteciam os aquecimentos para o Carnaval, com muito consumo de bebida alcoólica. Com o passar dos anos, a folia acabava, mas alguns passaram a ficar de forma definitiva na esquina. Muitos têm casa, mas passam o dia todo na rua, parecendo andarilhos, com as roupas sujas, e aparentando até problemas de saúde. As doenças mais comuns causadas pelo álcool são: Gastrite, Hepatite ou cirrose hepática, Impotência ou infertilidade, Infarto e trombose, Câncer, Pelagra, Demência, Anorexia Alcoólica.
De acordo com o tenente Montijo, da Polícia Militar, as batidas policiais são realizadas com freqüência naquela região, mas segundo ele o problema é mais uma questão social e de saúde, do que de segurança pública, explicando que não tem como simplesmente retirar os usuários das ruas. O registro que pode ser feito é o de perturbação de sossego, o que exige a identificação do denunciante para a formalização da ocorrência.
O secretário de Saúde, Lucas Lasmar, disse que o município vem tentando resolver a situação. Recentemente foi retirado o passeio central, onde os usuários estavam fazendo fogueiras durante á noite. Segundo ele, muitos se recusam a passar por atendimento médico, ou mesmo conversar com as agentes de saúde. A grande maioria já recusou por diversas vezes a internação, o que dificulta muito a retirada dos usuários das ruas. “A situação é a pior possível. A Prefeitura não consegue obrigar a pessoa a manter o tratamento no CAPS. A gente marca as consultas e eles não aparecem, não querem tratamento. Já foram deixados de lado até pela família e sem o apoio dos parentes todo esse processo de recuperação fica comprometido”, explicou. Lucas disse que irá solicitar as imagens das câmeras de segurança do Asilo, e denunciar os excessos á Polícia Militar tanto na perturbação de sossego quanto do atentado violento ao pudor.
A coordenadora do CRAS Sul, Camila Laguardia, que trabalha na sede a poucos metros da esquina do asilo, explica que já foram feitas todas as formas possíveis de abordagens, inclusive com o acompanhamento das famílias. No entanto, todos os freguentadores do local, que inclusive são pacientes do CAPS AD, se recusam a fazer o tratamento. Dificultando qualquer tipo de ação da área social.

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